Há cinco anos a Siemens profetizou que, em 2008, o Linux estaria presente em 20% dos computadores pessoais, ocupando uma honrosa segunda posição no mercado de sistemas operacionais. A estimativa era baseada na premissa de que os sistemas Linux reduziriam custos em até 30% na administração, 80% nas licenças de software e 50% no hardware em relação a sistemas de código proprietário, como o Windows. A percepção que se tinha é que o Linux exigiria menos recursos de hardware, o que viabilizaria um uso mais prologando dos equipamentos e menos gastos com upgrades sucessivos. Hoje, as pesquisas mostram que o Linux (somando a suas centenas de distribuições) não chega a 1% da fatia do bolo! Alguma coisa deu errado…

A verdade é que o Linux tem sérios problemas de identidade, afinal de contas ele quer ser o Windows, que por sua vez quer ser o MacOS! Talvez eu esteja exagerando, mas na ânsia de abalar a supremacia da Microsoft que tem mais de 90% desse mercado, o Linux cada vez mais se parece com o Windows. Essa minha afirmação é confirmada pelas 10 principais distribuições: Ubuntu, openSUSE, Fedora, Debian, Mandriva, PCLinuxOS, MEPIS, KNOPPIX, Slackware, Gentoo e FreeBSD. Todas elas, sem exceção, elegeram os gordos ambientes gráficos KDE e Gnome como seus cartões de visita. Em nome da usabilidade, os sistemas Linux “ganharam” pesados recursos visuais que incluem transparências, transições e efeitos que não servem para nada além de consumir recursos do hardware e acelerar a obsolecência dos equipamentos. A moda agora é mostrar que o Beryl é mais “cool” que o Aero, e assim a saudável concorrência entre Linux e Windows virou um concurso de misses, onde ganha quem tem o rostinho mais bonito. Temas importantes, como estabilidade e desempenho, tornaram-se secundários para dar espaço a discussão de quem tem Ãcones e cursores mais atraentes. E o que mais me impressiona nessa história toda é que a atual tendência tecnológica e cultural da Internet, freqüentemente chamada de Web 2.0, está marginalizada.
Me parece que os desenvolvedores de sistemas operacionais querem ignorar o movimento da Web 2.0 porque a idéia subjacente da “Web como um plataforma”, com aplicações e dados disponÃveis para qualquer sistema, enfraquece seus produtos. Isso é óbvio! Se todas as minhas aplicações e todos os meus dados estão numa grande rede de protocolos padronizados, qual a diferença se uso sistema operacional A ou o B? Nenhuma. Em tese, um velho computador, com 256MB de memória RAM, seria um equipamento suficiente para realizar maioria das atividades da computação pessoal: edição de documentos, comunicação eletrônica, gerenciamento de mÃdias digitais, etc. Na verdade, há cinco anos, quando a Siemens viajou na maionese sobre o futuro do Linux, as melhores configurações de computadores pessoais tinham 256MB e todo mundo estava feliz.Atualmente, um computador com “apenas” 256MB é considerado obsoleto. A versão mais recente do Ubuntu, que usa o gerenciador de janelas Gnome, recusa qualquer equipamento com menos de 384MB para instalação. O Windows Vista ainda é mais ambicioso e não aceita equipamentos com menos de 512MB. Na prática, ambos os sistemas apresentam desempenho insatisfatório em computadores com menos de 1GB de memória. Esse cenário é um presente para os fabricantes de equipamentos, que têm registrado números extremamente favoráveis mesmo com queda vertiginosa nos preços dos equipamentos. Essa situação me levou ao seguinte questionamento: é possÃvel ter um nÃvel de produtividade satisfatório em um computador com configuração obsoleta? Após alguns dias de pesquisas e ajustes conclui que sim!
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